Domingo, Agosto 08, 2004

Gol do Corinthians

A alegria foi tanta, que Rafael não conseguiu conter o grito. "GOOOOOOLLL!!!!!", berrou, escondido dentro do armário de seu quarto, com o radinho de pilha encostado ao ouvido. Logo percebeu a besteira que fizera. E ficou mudo. Paralisado de medo. Quando ouviu seu pai abrir, com violência, a porta do quarto, sentiu a merda escorrer por suas pernas.
"Cadê você, moleque?", perguntou Odair, com voz ameaçadora, segundos antes de abrir o armário e encontrar o filho, que batia os dentes de tanto pavor.
Nas mãos do menino, ainda estava o rádio, onde o locutor exaltava a beleza do gol que o Corinthians acabara de marcar.
"Então não tem jeito mesmo... Você é gambá. Um corintiano de merda. Vou te mostrar o que acontece com um corintiano nessa casa", disse o pai, com um sorriso psicopata no rosto.
Com uma mão, Odair agarrou os cabelos do filho. Com a outra, arrancou o radinho dele e arremessou no chão, fazendo-o em pedaços. Em seguida, deu dois murros na cara do garoto e o fez olhar para a bandeira do Palmeiras, pendurada na parede do quarto. "Lembra o que eu te disse, moleque de merda? Filho meu é palmeirense. Senão eu mato! Agora, beija a bandeira!", gritou, esfregando com força a cara do menino de oito anos no pano verde, que ficou manchado de sangue.
Ouvindo a gritaria, Cida, a mãe, correu para o quarto. "Seu filho é corintiano, Cida! Tava escondido no armário, escutando o jogo e gritou gol!", falou Odair.
Com cara de cu, sem saber o que fazer, Cida caminhou em direção ao filho. Rafael, de rosto ensangüentado, estendeu os braços para a mãe, num gesto de súplica. Queria que ela o abraçasse e levasse para longe daquele monstro vestido com agasalho de nylon da Mancha Verde. Chorando, Cida parou em frente ao menino, desviou o olhar para o marido, virou as costas e correu para o quarto do casal, onde se trancou. Sabia o quão maluco era Odair. Teve medo de que sobrasse para ela também.
Desesperado, Rafael viu-se à mercê do palmeirense fanático. Este percebeu então que o menino havia cagado na bermuda. "O que é isso? Cagou de medo? Além de corintiano, é bicha? Tira a bermuda, a cueca, tudo! Já!".
Soluçando, o pequenino fez o que o pai mandava. "Sempre quis fazer um corintiano comer merda. E vou fazer agora. Come essa porcaria!", ordenou o pai.
Rafael hesitou e um tapão na cara o arremessou ao chão. "Vai!!! Come!!!", intimou o porco, apontando para o cocô na cueca. Ainda tonto devido à porrada, o menino se arrastou até as roupas sujas de bosta, pegou a cueca, meteu a porcaria na boca, mastigou com esforço e engoliu. Foi levantado com um novo puxão de cabelos do pai e não conseguiu segurar o jato de vômito, que atingiu em cheio as pernas de Odair, sujando as calças de nylon do agasalho da Mancha.
"Olha o que você fez agora, seu merda!", gritou o palmeirense, que socou a testa do moleque contra a parede e, pelos cabelos, o arrastou até a cozinha. Lá, largou o filho caído no chão e pegou papel toalha para limpar o vômito das calças. "Esse agasalho é novo. E vem um corintiano e suja. Agora é que você não sai vivo mesmo", disse o pai, com olhos alucinados e um fiapo de baba escorrendo do canto esquerdo da boca.
De súbito, ele parou e ficou olhando o liqüidificador. Houve um breve silêncio, de alguns segundos. Com a bunda no chão gelado, Rafael, meio grogue, chorava, temendo o recomeço da sessão de tortura. Gritou quando o pai agarrou-lhe novamente, pelo braço direito, puxando-o até a pia, onde estava o liqüidificador.
"Vou te fazer uma pergunta...", prosseguiu o palmeirense, ligando o eletrodoméstico. Pelo braço, Rafael foi suspenso e colocado sentado sobre a pia, ao lado do aparelho. Odair ligou o liqüidificador e puxou a mão do menino para perto da lâmina giratória. Com os olhos arregalados no meio da cara coberta de sangue, Rafael não acreditava que seu pai ia tão longe por causa de uma bosta de um time de futebol. Nem ouviu quando o psicopata perguntou "pra que time você torce?". Foi acordado por um safanão. "Fala moleque! Pra que time você torce?". A voz de Rafael não saía. Um novo tapão na cara fez ele soltar alguns grunhidos. "P... p... p... pal... palm...". "Fala, caralho!!!", gritou novamente o pai. "P... Palmeiras", respondeu o pobre garotinho.
Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr... fazia o liqüidificador, enquanto pai e filho trocavam olhares silenciosos. "Você está mentindo!!!", berrou Odair. Bruscamente, ele enfiou a mão do garoto na lâmina. Rafael urrava, enquanto gotas de seu sangue espirravam do liqüidificador, sujando tudo ao redor. Quando o aparelho foi finalmente desligado, o menino já não gritava mais. Apenas tremia com o olhar opaco.
Ainda com sorriso de lunático, Odair via o sangue jorrar do que sobrou da mão do filho. Aos poucos, foi percebendo a que ponto chegara e aquele sorriso foi desaparecendo. Não que sentisse pena do garoto. É que lembrou de uma reportagem sobre um pai que havia maltrado o filho e, por isso, fora preso. Seu cérebro pequeno de torcedor fanático pôde então concluir que poderia lhe acontecer o mesmo.
Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho e ele se voltou para a porta da cozinha. Era Cida, que saíra do quarto e olhava a cena de horror, boquiaberta. Odair agiu por impulso. Pegou uma faca Ginsu, daquelas de cortar carne, e partiu para cima da esposa, que não teve nem tempo de gritar, tendo o abdome perfurado várias vezes pela lâmina.
Rafael continuou quieto, em estado de choque. Nem notou que a mãe fora assassinada. Também não notou a aproximação do palmeirense com a faca na mão, que se deteve por um momento a seu lado, antes de cortar sua garganta.

***

Enfim, Odair tinha a casa só para ele. Chegou à conclusão de que se tornara mais feliz, torrando seu dinheiro com putas, cerveja e cocaína.
Já havia passado sete dias. Nem pensava mais no filho e na mulher, que estavam enterrados em um terreno baldio, ao lado do campinho de futebol do bairro. Deu trabalho enterrá-los, mas não tanto quanto limpar o sangue da casa.
O palmeirense registrou o desaparecimento dos dois na delegacia. O delegado nem quis falar com ele. Estava entretido, vendo uma reportagem sobre o São Paulo no Globo Esporte. Nenhum investigador ainda havia lhe procurado.
Naquela tarde de domingo, esticou uma carreira sobre o vidro da mesinha da sala, deu o teco, soltou um peido, abriu a lata de cerveja e se esparramou no sofá para assistir ao clássico.
Na TV, Galvão Bueno anunciava a escalação dos dois times: Corinthians e Palmeiras. Ao ver o time alvinegro entrando em campo, teve uma vaga lembrança de Rafael e ficou com um pouco de raiva. E deu mais um teco.
Aos 22 minutos do primeiro tempo, Odair já havia cheirado um papel. Estava de pé, xingando os jogadores de seu time, enquanto o ataque corintiano se aproximava da área do verdão. De repente, um chute, um frango. E gol.
Odair começou a xingar e a babar como um animal, em frente à T.V.. Mas seu sangue gelou quando notou que não era só o Galvão Bueno que gritava "gooooooooooolll do Corinthians". De algum lugar da sala, uma voz infantil também gritava. A voz de Rafael.
Aquele grito sobrenatural deixou Odair realmente assustado. Seu coração disparou.
Sem saber o que fazer, olhou para a TV, que mostrava o jogador corintiano correndo pelo campo e sendo abraçado pelos companheiros de time. O palmeirense então pegou sua lata de cerveja e, numa golada, acabou com o que restava dela. Quando terminou de beber, notou que a imagem da TV mudara. Não passava mais o jogo. Mostrava ele enfiando a mão de Rafael no liqüidificador. O filho gritando, o sangue espirrando e seu sorriso piscopata.
Por uns segundos, o porcão fanático ficou petrificado, gelado de medo. Tremendo, estendeu o braço, pegou o controle remoto que estava sobre a mesa e desligou a T.V..
A casa ficou em silêncio. O que teria sido aquilo? Alucinação? "Preciso de outra cerveja", disse Odair para si mesmo. E foi até a cozinha, abriu a geladeira e pegou outra lata. De repente, seu coração quase parou. Deu um pulo e deixou a lata cair no chão, quando ouviu o "rrrrrrrrrrrrrrr...." do liqüidificador, que ligou sozinho. Sentiu a merda escorrer por suas pernas, dentro da calça de nylon.
Um frio do além tomou conta da casa. "Rrrrrrrrrrr...", prosseguia o liqüidificador no momento em que o palmeirense sentiu que não estava mais sozinho na cozinha. Tentou se mexer, mas não conseguiu. Olhou para trás e viu o filho. Rafael tinha um sorriso maligno no rosto. Estava como o pai o deixara. Com a mão direita triturada, a cara deformada pelas porradas e a garganta aberta. Um rastro de sangue o seguia, enquanto ele, lentamente caminhava em direção a Odair.
Na semana seguinte, o palmeirense foi encontrado por policiais chamados pela vizinhança, que sentiu o cheiro de putrefação. Estava caído no chão da cozinha, nu da cintura pra baixo, com a mão direita enfiada dentro do liqüidificador, ainda ligado. A causa da morte foi asfixia. Foi sufocado pela cueca cheia de merda, que entalou em sua garganta.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

essa estoria deve ter sido inventada por algum corintiano que comeu merda mesmo e a mesma merda foi parar no cerebro dele.
ai meu Deus que imaginacao... continua comendo merda o dentinho do Satanas....

11 de maio de 2006 10:26  

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