Convite de amizade
"Pedro Soares enviou um convite para você. Entre no Orkut para ver o perfil de Pedro Soares", dizia o e-mail.
"Quem é esse filho da puta?", pensou Josué, clicando no link e entrando no Orkut. Em sua página, viu o convite de amizade e a foto do tal Pedro. Um estranho. Viu também que o cara deixara uma mensagem em sua caixa de recados. Entrou lá e leu:
"Oi Josué. Sou eu, o Pedro. Estudei com vc na quinta-série do colégio Raimundo. Lembra? Faz muito tempo que a gente não se vê. Uns 15 ou 16 anos, eu acho. Como a gente pôde perder o contato? Até hoje considero você um dos melhores amigos que já tive. Vamos marcar uma cerveja. Abraço"
- Por que não aparece uma ex-coleguinha gostosa pra ficar minha amiga nessa merda? _ disse para si mesmo, antes de apagar o recado.
Entrara no Orkut havia duas semanas. Quem o convenceu a fazê-lo foi um colega do jornal que disse ter conhecido várias garotas no site de relacionamentos. E comido a maior parte delas.
Até aquele momento, porém, a única coisa que Josué havia conseguido com aquilo foram convites de amizade vindos de fantasmas do passado. Todos já esquecidos. "Por que esses caras não continuam levando a vidinha de merda deles longe de mim? Vá se foder...", era o que pensava.
Enquanto apagava o recado do cara, porém, veio um flash.
Lembrou-se do colégio Raimundo, que ficava a poucas quadras da casa de seus pais. Estudou lá da segunda à quinta-série. Aos poucos, também foi lembrando do Pedro. Vagamente. Um moleque chato que apanhava de quase todos os outros, não falava com quase ninguém e achava que Josué, um dos poucos que não lhe batia, era seu único amigo.
Desencanou daquilo e fechou o site. Já estava enrolando demais. Tinha ainda que apurar três pautas para o dia. Duas cascatas e um pedido da secretaria de redação. A rotina do jornal estava deixando ele doido. Dez a doze horas por dia de cobranças, enchição de saco... E pautas medíocres. Que o faziam ficar o tempo inteiro com o telefone na orelha, falando com assessores de imprensa. Não era à toa que andava tão azedo.
Ficou na lama até as seis da tarde. Uma cascata caiu. A outra ia sair de qualquer jeito, contra sua vontade. E o pedido da secretaria não virou, o que o obrigou a escrever um relatório imenso, dizendo por que não conseguira fazer a porra da matéria.
Antes de começar a escrever o tal relatório, no início da noite, deu mais uma entrada no e-mail. Piadinhas estúpidas, ofertas de assinatura de revistas e aviso de que havia outro recado do Pedro no Orkut. "Puta merda, o que esse cara quer comigo?"
Mais uma vez clicou no link e leu o recado:
"Oi Josué. Sou eu, o Pedro. Estudei com vc na quinta-série do colégio Raimundo. Lembra? Faz muito tempo que a gente não se vê. Uns 15 ou 16 anos, eu acho. Como a gente pôde perder o contato? Até hoje considero você um dos melhores amigos que já tive. Vamos marcar uma cerveja. Abraço"
A mesma merda de recado. Que Josué novamente apagou sem responder. Nos dias seguintes, aquela mensagem foi recebida e apagada inúmeras outras vezes. Josué continuou tocando sua rotina de bosta no jornal. Trampando feito um filho da puta de dia e enchendo a cara à noite. Duas semanas se passaram.
Até que uma noite saiu da redação extremamente estressado. Louco pra beber até cair. Mas sem um puto no bolso. "Porra, vida de merda. Tô zerado. Nem uma cervejinha posso tomar", pensava enquanto, da entrada do jornal, olhava o bar do outro lado da rua. Sussurrou um palavrão e deu meia volta pra ir embora. Acabou dando de frente com um rosto conhecido.
- Fala Josué!
Demorou algumas frações de segundo pra sacar quem era. E era ele. Pedro Soares. Josué nem teve tempo de falar nada. O cara já veio abraçando.
- Vc lembra de mim, né cara?
Josué pensou em mentir que não. Mas Pedro, radiante, já foi falando antes que ele pudesse responder.
- O Pedro! Do colégio Raimundo! Lembra?
- Ahn... _ foi o que saiu da boca do jornalista. Daquele jeito era foda. Não tinha como dizer que havia se esquecido do sujeito, que estava todo sorridente.
- E aí? Lembra?
- Lembro sim, lembro sim... Tudo bom com você?
- Porra, cara! Tudo certo! Deixa eu te pagar uma cerveja...
A última frase surgiu como uma luz no fim do túnel para Josué. Pedro lhe oferecia álcool. Era tudo que queria. Por um momento se arrependeu de ter ignorado o "amigo" no Orkut.
- A gente pode tomar uma breja sim, mas tô falido. Não tenho um puto _ respondeu, tentando conter a ansiedade na voz.
- Ah, bicho... Vá se foder... Falei que eu pago! Vamo lá!
Os dois atravessaram a rua para o bar.
Sentaram-se numa mesa e pediram cerveja. Vieram uma, duas, três, quatro... O tempo todo com Pedro falando sem parar. Ele quase não bebia. Enquanto Josué esvaziava um copo atrás do outro, o colega bebericava pequenos golinhos da cerveja. Contava que tinha se formado em engenharia e seu futuro era promissor. Fora contratado por uma firma que construía prédios luxuosos, de alto padrão. Narrou toda a trajetória desde que havia saído do colégio Raimundo. Falou do colegial, do cursinho, da faculdade, dos primeiros trampos... Sua boca era uma metralhadora. Imendava um assunto no outro. Josué só olhava ela se mexer e bebia. Nem entendia a maioria das palavras. Fingia que prestava atenção.
A certa altura, após quase duas horas de fala ininterrupta de Pedro, Josué acordou. Pois ex-colega de ginásio lhe fazia uma pergunta.
- O quê?
- O Orkut. Sabe? Aquele site, Orkut? Te achei lá. Pedi pra você ser meu amigo. Mandei recados pra você. Mas você nunca respondeu. Aí eu checava se o recado estava lá e não estava mais. Como sei que você não ia apagar os recados, acho que aquela merda tá tendo algum problema.
- É... Deve ser algum problema... Quase não abro aquela porra...
- Eu achei o Orkut muito legal. Principalmente porque encontrei você. Cara, acho que você foi o único amigo verdadeiro que eu tive na minha vida. O resto é só traíra. Lembra daquela vez que eu tava apanhando na escola e você me ajudou?
- Não, não lembro...
- Porra, bicho, como você foi esquecer? Foi quando a gente ficou amigo. Aqueles moleques filhos da puta _ nesse instante surgiu uma raiva insana no olhar de Pedro _, eles me batiam direto. Não me deixavam em paz. Faziam da minha vida um inferno. Até que o Niltão (lembra dele?), veio me bater porque me recusei a passar cola pra ele numa prova. E aí você me ajudou.
Niltão... O nome trouxe mais flashs do passado. Um moleque escroto, metido a valentão. Vivia cercado de puxa-sacos, que o seguiam e obedeciam suas ordens. Um cara realmente odiável. Josué tretara uma vez com ele por causa de uma partida de futebol na quadra da escola. Saíram na mão e foram separados pelos monitores que vigiavam a molecada. Aí também lembrou do episódio que Pedro citava.
A treta que ele e Niltão tiveram na quadra não fora terminada devido aos bedéus terem se metido. Então, quando viu Niltão batendo covardemente no coitado do Pedro, resolveu aproveitar pra acertar as contas com ele. Foi lá e deu uma surra no filho da puta.
A partir dali, virou o herói do Pedro, que começou a lhe pagar refrigerantes na hora do recreio, passar cola nas provas e etc. Niltão ficara piano e nunca mais encheu o saco.
- Pode crer. Agora lembrei... Aquele Niltão era um filho da puta _ finalmente respondeu.
- Pois é... E nós ficamos amigos. De lá pra cá, nunca mais encontrei um cara tão gente boa quanto você. Por isso vim aqui hoje. Li seus recados do Orkut, vi suas comunidades e entrei em contato com amigos seus, que me disseram que você tava trabalhando aqui. Por isso eu vim. Passei a tarde inteira na frente do prédio, esperando você sair.
As últimas palavras foram ditas, em tom de voz alterado, por um Pedro sorridente, de olhos arregalados e loucos. Josué não gostou nada daquilo. "O quê? Esse filho da puta veio até aqui e ficou a tarde inteira me esperando. Só pode ser bicha. Vou cair fora", pensou.
- Legal, legal... Mas, ahn, então... Já bebi demais. Foram sete garrafas e a maior parte quem tomou fui eu. Preciso ir andando...
- Vamoaí. Eu te dou uma carona...
- Não, não... Pode deixar... Meu carro tá no estacionamento.
- Você tá bêbado. Melhor eu te levar pra sua casa. Ou você pode dormir na minha.
Josué sentiu um arrepio e foi se levantando.
- Não, não, cara. Deixa quieto. Dá seu telefone que, quando a gente puder tomar outra breja, eu te ligo.
- Tá bom... Toma meu cartão. Dá seu telefone pra mim também _ disse o outro, agora meio triste.
- Ehn... Tô sem celular... Pode deixar que eu te ligo.
- Mas você não tem telefone no jornal? Em casa?
- Ehn... Tenho. Mas tô tão bêbado que não consigo lembrar...
Pedro então ficou quieto. Olhando fixamente para o "amigo". Um olhar frio e assustador. Até que falou:
- Você tá mentindo.
- Ehn... Não tô não. Olha... Eu te ligo, tá? Valeu as brejas. Até mais...
Desencanou de dar a mão ao maluco. E saiu andando do boteco. Não conseguia mais agüentar aquela situação.
Meio cambaleando devido à bebedeira, caminhava em direção ao estacionamento. Pensava em como há doidos nesse mundo de merda. Até que viu faróis de carro vindo em alta velocidade, em sua direção. Não teve como fugir. O carrão, um modelo importado, subiu na calçada e o atingiu. O corpo do repórter rodopiou por cima do capô e foi atirado ao chão.
Passou alguns segundos desacordado. Aos poucos, foi recobrando a consciência. Notou que não sentia as pernas. E viu Pedro de pé, a seu lado. Apontando para ele uma pistola semi-automática.
- Você nunca foi meu amigo.
"Quem é esse filho da puta?", pensou Josué, clicando no link e entrando no Orkut. Em sua página, viu o convite de amizade e a foto do tal Pedro. Um estranho. Viu também que o cara deixara uma mensagem em sua caixa de recados. Entrou lá e leu:
"Oi Josué. Sou eu, o Pedro. Estudei com vc na quinta-série do colégio Raimundo. Lembra? Faz muito tempo que a gente não se vê. Uns 15 ou 16 anos, eu acho. Como a gente pôde perder o contato? Até hoje considero você um dos melhores amigos que já tive. Vamos marcar uma cerveja. Abraço"
- Por que não aparece uma ex-coleguinha gostosa pra ficar minha amiga nessa merda? _ disse para si mesmo, antes de apagar o recado.
Entrara no Orkut havia duas semanas. Quem o convenceu a fazê-lo foi um colega do jornal que disse ter conhecido várias garotas no site de relacionamentos. E comido a maior parte delas.
Até aquele momento, porém, a única coisa que Josué havia conseguido com aquilo foram convites de amizade vindos de fantasmas do passado. Todos já esquecidos. "Por que esses caras não continuam levando a vidinha de merda deles longe de mim? Vá se foder...", era o que pensava.
Enquanto apagava o recado do cara, porém, veio um flash.
Lembrou-se do colégio Raimundo, que ficava a poucas quadras da casa de seus pais. Estudou lá da segunda à quinta-série. Aos poucos, também foi lembrando do Pedro. Vagamente. Um moleque chato que apanhava de quase todos os outros, não falava com quase ninguém e achava que Josué, um dos poucos que não lhe batia, era seu único amigo.
Desencanou daquilo e fechou o site. Já estava enrolando demais. Tinha ainda que apurar três pautas para o dia. Duas cascatas e um pedido da secretaria de redação. A rotina do jornal estava deixando ele doido. Dez a doze horas por dia de cobranças, enchição de saco... E pautas medíocres. Que o faziam ficar o tempo inteiro com o telefone na orelha, falando com assessores de imprensa. Não era à toa que andava tão azedo.
Ficou na lama até as seis da tarde. Uma cascata caiu. A outra ia sair de qualquer jeito, contra sua vontade. E o pedido da secretaria não virou, o que o obrigou a escrever um relatório imenso, dizendo por que não conseguira fazer a porra da matéria.
Antes de começar a escrever o tal relatório, no início da noite, deu mais uma entrada no e-mail. Piadinhas estúpidas, ofertas de assinatura de revistas e aviso de que havia outro recado do Pedro no Orkut. "Puta merda, o que esse cara quer comigo?"
Mais uma vez clicou no link e leu o recado:
"Oi Josué. Sou eu, o Pedro. Estudei com vc na quinta-série do colégio Raimundo. Lembra? Faz muito tempo que a gente não se vê. Uns 15 ou 16 anos, eu acho. Como a gente pôde perder o contato? Até hoje considero você um dos melhores amigos que já tive. Vamos marcar uma cerveja. Abraço"
A mesma merda de recado. Que Josué novamente apagou sem responder. Nos dias seguintes, aquela mensagem foi recebida e apagada inúmeras outras vezes. Josué continuou tocando sua rotina de bosta no jornal. Trampando feito um filho da puta de dia e enchendo a cara à noite. Duas semanas se passaram.
Até que uma noite saiu da redação extremamente estressado. Louco pra beber até cair. Mas sem um puto no bolso. "Porra, vida de merda. Tô zerado. Nem uma cervejinha posso tomar", pensava enquanto, da entrada do jornal, olhava o bar do outro lado da rua. Sussurrou um palavrão e deu meia volta pra ir embora. Acabou dando de frente com um rosto conhecido.
- Fala Josué!
Demorou algumas frações de segundo pra sacar quem era. E era ele. Pedro Soares. Josué nem teve tempo de falar nada. O cara já veio abraçando.
- Vc lembra de mim, né cara?
Josué pensou em mentir que não. Mas Pedro, radiante, já foi falando antes que ele pudesse responder.
- O Pedro! Do colégio Raimundo! Lembra?
- Ahn... _ foi o que saiu da boca do jornalista. Daquele jeito era foda. Não tinha como dizer que havia se esquecido do sujeito, que estava todo sorridente.
- E aí? Lembra?
- Lembro sim, lembro sim... Tudo bom com você?
- Porra, cara! Tudo certo! Deixa eu te pagar uma cerveja...
A última frase surgiu como uma luz no fim do túnel para Josué. Pedro lhe oferecia álcool. Era tudo que queria. Por um momento se arrependeu de ter ignorado o "amigo" no Orkut.
- A gente pode tomar uma breja sim, mas tô falido. Não tenho um puto _ respondeu, tentando conter a ansiedade na voz.
- Ah, bicho... Vá se foder... Falei que eu pago! Vamo lá!
Os dois atravessaram a rua para o bar.
Sentaram-se numa mesa e pediram cerveja. Vieram uma, duas, três, quatro... O tempo todo com Pedro falando sem parar. Ele quase não bebia. Enquanto Josué esvaziava um copo atrás do outro, o colega bebericava pequenos golinhos da cerveja. Contava que tinha se formado em engenharia e seu futuro era promissor. Fora contratado por uma firma que construía prédios luxuosos, de alto padrão. Narrou toda a trajetória desde que havia saído do colégio Raimundo. Falou do colegial, do cursinho, da faculdade, dos primeiros trampos... Sua boca era uma metralhadora. Imendava um assunto no outro. Josué só olhava ela se mexer e bebia. Nem entendia a maioria das palavras. Fingia que prestava atenção.
A certa altura, após quase duas horas de fala ininterrupta de Pedro, Josué acordou. Pois ex-colega de ginásio lhe fazia uma pergunta.
- O quê?
- O Orkut. Sabe? Aquele site, Orkut? Te achei lá. Pedi pra você ser meu amigo. Mandei recados pra você. Mas você nunca respondeu. Aí eu checava se o recado estava lá e não estava mais. Como sei que você não ia apagar os recados, acho que aquela merda tá tendo algum problema.
- É... Deve ser algum problema... Quase não abro aquela porra...
- Eu achei o Orkut muito legal. Principalmente porque encontrei você. Cara, acho que você foi o único amigo verdadeiro que eu tive na minha vida. O resto é só traíra. Lembra daquela vez que eu tava apanhando na escola e você me ajudou?
- Não, não lembro...
- Porra, bicho, como você foi esquecer? Foi quando a gente ficou amigo. Aqueles moleques filhos da puta _ nesse instante surgiu uma raiva insana no olhar de Pedro _, eles me batiam direto. Não me deixavam em paz. Faziam da minha vida um inferno. Até que o Niltão (lembra dele?), veio me bater porque me recusei a passar cola pra ele numa prova. E aí você me ajudou.
Niltão... O nome trouxe mais flashs do passado. Um moleque escroto, metido a valentão. Vivia cercado de puxa-sacos, que o seguiam e obedeciam suas ordens. Um cara realmente odiável. Josué tretara uma vez com ele por causa de uma partida de futebol na quadra da escola. Saíram na mão e foram separados pelos monitores que vigiavam a molecada. Aí também lembrou do episódio que Pedro citava.
A treta que ele e Niltão tiveram na quadra não fora terminada devido aos bedéus terem se metido. Então, quando viu Niltão batendo covardemente no coitado do Pedro, resolveu aproveitar pra acertar as contas com ele. Foi lá e deu uma surra no filho da puta.
A partir dali, virou o herói do Pedro, que começou a lhe pagar refrigerantes na hora do recreio, passar cola nas provas e etc. Niltão ficara piano e nunca mais encheu o saco.
- Pode crer. Agora lembrei... Aquele Niltão era um filho da puta _ finalmente respondeu.
- Pois é... E nós ficamos amigos. De lá pra cá, nunca mais encontrei um cara tão gente boa quanto você. Por isso vim aqui hoje. Li seus recados do Orkut, vi suas comunidades e entrei em contato com amigos seus, que me disseram que você tava trabalhando aqui. Por isso eu vim. Passei a tarde inteira na frente do prédio, esperando você sair.
As últimas palavras foram ditas, em tom de voz alterado, por um Pedro sorridente, de olhos arregalados e loucos. Josué não gostou nada daquilo. "O quê? Esse filho da puta veio até aqui e ficou a tarde inteira me esperando. Só pode ser bicha. Vou cair fora", pensou.
- Legal, legal... Mas, ahn, então... Já bebi demais. Foram sete garrafas e a maior parte quem tomou fui eu. Preciso ir andando...
- Vamoaí. Eu te dou uma carona...
- Não, não... Pode deixar... Meu carro tá no estacionamento.
- Você tá bêbado. Melhor eu te levar pra sua casa. Ou você pode dormir na minha.
Josué sentiu um arrepio e foi se levantando.
- Não, não, cara. Deixa quieto. Dá seu telefone que, quando a gente puder tomar outra breja, eu te ligo.
- Tá bom... Toma meu cartão. Dá seu telefone pra mim também _ disse o outro, agora meio triste.
- Ehn... Tô sem celular... Pode deixar que eu te ligo.
- Mas você não tem telefone no jornal? Em casa?
- Ehn... Tenho. Mas tô tão bêbado que não consigo lembrar...
Pedro então ficou quieto. Olhando fixamente para o "amigo". Um olhar frio e assustador. Até que falou:
- Você tá mentindo.
- Ehn... Não tô não. Olha... Eu te ligo, tá? Valeu as brejas. Até mais...
Desencanou de dar a mão ao maluco. E saiu andando do boteco. Não conseguia mais agüentar aquela situação.
Meio cambaleando devido à bebedeira, caminhava em direção ao estacionamento. Pensava em como há doidos nesse mundo de merda. Até que viu faróis de carro vindo em alta velocidade, em sua direção. Não teve como fugir. O carrão, um modelo importado, subiu na calçada e o atingiu. O corpo do repórter rodopiou por cima do capô e foi atirado ao chão.
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- Você nunca foi meu amigo.

7 Comments:
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Oi Olheiro. Sou eu, o Pedro. Estudei com vc na quinta-série do colégio Raimundo. Lembra? Faz muito tempo que a gente não se vê. Uns 15 ou 16 anos, eu acho. Como a gente pôde perder o contato? Até hoje considero você um dos melhores amigos que já tive. Vamos marcar uma cerveja. Abraço
Este é o terceiro conto que leio neste blog, e estou achando sensacional. Parabéns!
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